Arca de Noé

A meta agora é (re)construir uma Defesa Civil organizada.

(Do amigo Kanitz)
A Informação Está Em Todo Lugar. Se Hoje Em Dia A Informação É De Graça:
Qual É O Valor Do Conhecimento?"

É uma excelente discussão, especialmente para quem pretende escolher a profissão de jornalista no próximo vestibular.

De fato, a informação está em todo lugar. Está em blogs de economistas, advogados, professores, de empresas como a Petrobras, nas associações de classe.

Obama fez uma campanha em que as informações de seu Twitter passavam diretamente dele para os seus eleitores, sem ter a imprensa como intermediária. Tal fato reduziu, e muito, o poder da imprensa sobre os políticos americanos.

Políticos brasileiros há uns 25 anos descobriram este poder de intermediação (e de distorção) que a imprensa fazia das propostas do candidatos, e passaram a ter veículos de imprensa próprios, como rádios e TVs. Assim, Sarney governou dando concessões de rádios e TVs aos políticos em troca da aprovação de leis necessárias. ACM, Collor de Melo etc. e etc. eram (e são) donos de TV e jornais.

A imprensa escrita sofre há 20 anos a concorrência do jornalismo de TV, que é mais rápido e grátis.

Como pode O Estado de São Paulo concorrer com os telejornais, que oferecem a mesma informação grátis (basta ligar a televisão)?

Como os jornalistas podem concorrer com prêmios Nobel como Paul Krugman, que supostamente entendem muito mais de economia do que qualquer jornalista?

É um problema sério para qualquer futuro jornalista.

Aqueles que geram conhecimento não precisam mais da imprensa para transmitir tal conhecimento à sociedade. Basta abrir um blog e colocar as palavras-chave ou assunto. Depois, o Google te acha.

Melhor: se você der uma entrevista a um jornalista (e ele nem sempre escreve o que você disse), você pode preservar para sempre tal entrevista no seu blog, enquanto o jornal só fica nas bancas por um único dia.

Ainda existe uma saída para o jornalista, e eu até participei de uma mudança positiva no jornalismo brasileiro, algo inédito até então, e que acredito seja a solução.

Criei na revista Exame o banco de dados das 1000 maiores empresas brasileiras. Criamos conhecimento, publicávamos as melhores empresas, os benchmarks, as fórmulas de sucesso. Criávamos nós mesmos o conhecimento que estávamos publicando. A Exame pagou pelo conhecimento gerado, em vez de obtê-lo de graça dos entrevistados.

A Folha criou depois o Datafolha, com o mesmo objetivo: criar conhecimento.

A saída, como insinua o Estadão, é você pagar pelo conhecimento. E, provavelmente, terá de pagar caro. Terá de criar no jornal um conhecimento que ninguém mais tem, como fiz por 25 anos na Revista Exame, criando análises exclusivas sobre a economia brasileira, sob o ângulo do administrador. Tais análises eram aguardadas todo ano: sucesso de banca por 25 anos.

Assim sendo, talvez a escola de jornalismo não seja a melhor opção, mas sim uma escola que ensine conteúdo: seja de sociologia, política, economia ou administração -- uma das várias ciências ou assuntos que seu futuro jornal cobrirá. E criar um núcleo de pesquisas, como fizeram a Folha e a Revista Exame.

É algo para se pensar.

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jose maurício ferracioli Comentário de jose maurício ferracioli em 24 junho 2009 às 19:28
Infelizmente esta semana, o SUPREMO, jogou no limbo todos os cursos de jornalismo. Agora qualquer ser medianamente culto pode criar seu jornal. Vai ficar chato adquirir cultura de especialista. Exemplo: sou médico ginecologista e digo assim: muito provavelmente a sinusiorragia se deve a um processo de NIC III, em face de alterações do núcleo das células escamosas do colo. O jornalista que deve saber um pouco de tudo, se bem criado na arte, traduziria assim: o sangramento deve ser de um início de câncer pelas doenças sexualmente transmissíveis que a mulher teve. Brilhante! Todo mundo aí entende. Qualquer nota de economia, se dada por economista é quase grego para mim. Quando o jornalista traduz fica mais palatável.
O culto sabe que a melhor coisa da vida é cultura. Nela a gente se educa, viaja, conhece, ri, chora, aprende e ensina. Tudo isso pode ser caro, porém o preço é irrisório pelo benefício.
Todo culto se basta e se torna chato se for especialista e tentar impor seu conhecimento aos que são limitados. Pensando bem, tudo que vai ao limite é perigoso.
João Guilherme Wegner da Cunha Comentário de João Guilherme Wegner da Cunha em 24 junho 2009 às 18:01
Interessante reflexão, entretanto ainda acredito na necessária formação das Escolas de Jornalismo, fundamentalmente na formação ética e conceitual do importante exercício de escrever para outros;

JG
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