Arca de Noé

A meta agora é (re)construir uma Defesa Civil organizada.

Há um ano, em 22 de novembro de 2008, Santa Catarina sofria com a maior tragédia registrada no Estado, provocada por chuvas frequentes que duraram cerca de três meses, e que atingiu mais de 2 milhões de catarinenses. O número oficial de óbitos é de 135 pessoas e duas ainda estão desaparecidas, com a principal causa por soterramento: 97%. Entre desalojadas e desabrigadas, foram 78 mil pessoas. De acordo com a Defesa Civil Estadual, um terço do território catarinense foi atingidos pelas chuvas: 63 municípios catarinenses decretaram Situação de Emergência e 14 decretaram Estado de Calamidade Pública.

De acordo com os especialistas, a principal causa do desastre foi a “solifluxão”, que é quando parte do solo se desmancha. Na época, geólogos identificaram mais de quatro mil pontos de deslizamentos nas áreas atingidas. Entre os dias 22 e 23 de novembro, os níveis de precipitação pluviométrica alcançaram números recordes. Em Blumenau, durante cinco dias, choveu mais de 600mm, quando a média mensal é de 110 a 150mm. Nos demais municípios do Vale do Itajaí, os números não eram diferentes. A cidade de Itajaí, localizada na foz do Rio Itajaí-Açu, teve 80% de seu território inundado.

Os danos ainda são incalculáveis. Mais de 23 rodovias estaduais foram danificadas, além das estradas federais. O turismo, as indústrias, a agropecuária, as pequenas e microempresas, o comércio, os abastecimentos de água, luz e gás também foram prejudicados.

A Defesa Civil considera ainda que 2,4 mil famílias continuam desabrigadas e 3,6 mil permanecem desalojadas nos municípios afetados.

O Governo do Estado instalou uma estrutura completa de atendimento aos atingidos, além de atendimento à imprensa. Na sede da Defesa Civil, uma central de comunicação com linha telefônica, computadores e internet, foi implantada para uso dos jornalistas de diferentes veículos que transmitiam diretamente do Centro de Operações do órgão estadual. A Secretaria de Estado de Comunicação mobilizou jornalistas de diferentes secretarias de Estado para auxiliarem no repasse de informações e no atendimento à imprensa.

Em Navegantes, a Defesa Civil Estadual mantinha o Centro de Operações Aéreas, com 24 helicópteros e 6 aviões, coordenado pelo comandante do Batalhão Aéreo da Polícia Militar de SC, tenente-coronel Milton Kern Pinto. “Foi a maior operação aérea já registrada no país”, destaca o diretor da Defesa Civil, Márcio Luiz Alves. As aeronaves eram provenientes de diferentes estados do país, como Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Lá, um espaço à assessoria de imprensa também foi montado.

Doações - A Defesa Civil estima que 12 mil pessoas estiveram diretamente envolvidas nas ações de resposta ao evento adverso, além de milhares de voluntários, que auxiliaram na recepção, triagem e distribuição de doações. Ao todo, a Defesa Civil calcula que foram doados 4,3 milhões de quilos de alimentos e 2,5 milhões de litros de água. Os alimentos e água doados foram considerados, pela Defesa Civil, suficientes para atender a demanda gerada pelo desastre. Também foram doados e distribuídos brinquedos, materiais de limpeza e de uso pessoal.

Em recursos, o Fundo Estadual de Defesa Civil recebeu mais de R$ 36 milhões em doações. O valor foi distribuído no atendimento à população para a compra de terrenos, R$ 18 milhões, e ao Auxílio Reação, R$ 17,7 milhões, benefício que atendeu sete mil desalojados com as chuvas. Do valor dos terrenos, R$ 1,875 milhão ainda precisa ser repassado, pois aguarda documentação dos municípios.
Recursos Federais - De maneira emergencial, o Governo do Estado recebeu, por meio da Medida Provisória 448, R$ 360 milhões, dos quais R$ 45 milhões foram destinados à Defesa Civil Estadual. A quantia foi utilizada em obras emergenciais: contratação de máquinas, compra de material de construção, combustível, peças e serviços mecânicos, transporte de donativos, refeições, recuperação de vias públicas, entre outros serviços correspondentes. A prestação de contas deste valor foi encaminhado em setembro deste ano ao Ministério de Integração Nacional.

Desta MP, o Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) recebeu R$ 289,8 milhões. À Companhia de Habitação de Santa Catarina (Cohab/SC) foram disponibilizados R$ 8,6 milhões. A Secretaria de Estado da Administração contou com R$ 11,3 milhões e à Secretaria de Estado da Assistência Social, Trabalho e Habitação foram liberados R$ 5 milhões para atender emergencialmente a população catarinense.

“A participação do povo brasileiro e o atendimento do governo federal no repasse de recursos foi essencial para darmos o atendimento emergencial necessário aos catarinenses atingidos. Foram milhares de doações e recursos, proporcionais ao desastre. Foi uma imensa mobilização”, relembra o diretor Márcio Luiz Alves.

Prevenção - Para minimizar efeitos de uma tragédia meteorológica como esta, a Defesa Civil Estadual defende a necessidade de uma mudança cultural, explica Alves. “As pessoas precisam entender o que são áreas de risco e como agir na ocorrência de um evento adverso intenso. A prevenção é essencial para reduzir o risco de desastres”, aponta o diretor da Defesa Civil.

Neste ano, o órgão estadual, em parceria com o Centro de Estudos e Pesquisas sobre Desastres, da Universidade Federal de Santa Catarina, e com a Secretaria de Estado da Educação, lançou dois projetos educativos e distribuiu à rede estadual. Foram mais de 4 milhões de cartilhas aos alunos, da Série Nossa Segurança, além de kits do Projeto Percepção de Risco – A Descoberta de Um Novo Olhar, o qual contempla alunos da 7ª série com gibis e professores com livros e filmes sobre o assunto.

Ainda neste ano, a Defesa Civil capacitou lideranças comunitárias de Florianópolis e Blumenau, além de promover cursos de capacitação nas 36 Secretarias Regionais do Estado para todos os coordenadores municipais e regionais.

Fonte: Site da Defesa Civil - Santa Catarina

Tags: chuvas, defesa civil, enchentes, santa catarina, tragédia, 22 de novembro de 2008, 22-11-08

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